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Case 06 — Take Blip · DesignOps interno

A 1:1 que sobrevive a qualquer reorganização

A organização de design da Take Blip se reorganizava o tempo todo — times abriam, fechavam, designers rodavam entre unidades. A história de um designer se perdia a cada mudança, até os líderes combinarem um jeito único de preservá-la.

Papel
UX Design Chapter Leader — um dos cinco líderes de design
Escala
80 UX designers · 4 unidades de negócio
Métodos
Benchmarking · Pesquisa qualitativa · Service blueprint · Mapa de jornada
Status
Interno — adotado por toda a liderança de design
01 — A situação

Uma organização feita para se reorganizar

Entrei na Take Blip como UX Design Chapter Leader — um dos cinco líderes de design responsáveis por 80 UX designers distribuídos em quatro grandes unidades de negócio. Cada unidade rodava vários times, em geral um PM, um analista de dados, um analista de conversação, um designer e três desenvolvedores, cada time cuidando de um a quatro projetos de cliente ao mesmo tempo.

A organização foi desenhada para se mover. Times novos abriam, antigos fechavam e os designers rodavam o tempo todo — muitas vezes trocando de unidade de negócio e de liderança na mesma mudança. Cada rotação colocava um designer diante de um líder que não sabia nada sobre seus projetos, sua trajetória de carreira ou como ele realmente estava.

Padronizar o acompanhamento e a gestão dos designers foi um dos primeiros desafios que assumi. O obstáculo não era ferramenta — era que cada um dos cinco líderes rodava as 1:1s e acompanhava o progresso do seu jeito informal, em formatos que nenhum outro líder conseguia assumir.

80UX designers
5líderes de design
4unidades de negócio
1–4projetos por time
UN 01 UN 02 UN 03 UN 04
1 UX designer em rotação — novo time, unidade ou líder time: PM · dados · conversação · designer · 3 devs
01 — A realidade da operação: 80 designers em quatro unidades de negócio, em rotação constante entre times, unidades e líderes.
02 — A virada

Desenhar o handoff, não um dashboard

Duas decisões moldaram tudo o que veio depois.

Primeira: olhar para fora do design antes de propor qualquer coisa. Desenvolvimento, gestão de produto e análise de dados já rodavam 1:1s e acompanhavam suas equipes havia tempo. Consultei líderes de cada uma dessas disciplinas e reuni os achados num relatório de benchmarking com os temas recorrentes e as melhores práticas. O design não precisava de um processo original — precisava do melhor do que já funcionava ao redor.

Segunda: mirar o sistema na passagem entre líderes. Cada rotação entregava um designer a um líder sem nenhum registro de seus projetos, seu progresso ou de como ele estava. Então, em vez de impor uma ferramenta aos designers, desenhei e facilitei um workshop em que nós cinco mapeamos nossos processos informais e o que eles tinham em comum, e transformamos essa sobreposição num padrão compartilhado. Um acordo entre líderes, para que o registro de um designer sobrevivesse à passagem de um de nós para o outro.

O primeiro usuário do sistema não era o designer — era a passagem de bastão entre dois líderes.
Antes × × contexto perdido contexto perdido Depois Time A · UN 01 Time B · UN 03 Time C · UN 02 registro registro
antes — cinco processos informais depois — um registro compartilhado
02 — A jornada que o sistema tinha de consertar: um designer rodando por três times. Antes, cada passagem zerava a história dele; depois, um registro único viaja junto.
03 — O trabalho

De cinco hábitos a um padrão

  1. Benchmarking com três outras disciplinas

    Consultei líderes de desenvolvimento, gestão de produto e análise de dados sobre como rodavam 1:1s e acompanhavam suas equipes. Reuni tudo num relatório de benchmarking com os temas-chave e as melhores práticas que valia levar para o design.

  2. Revelar os cinco processos informais

    Desenhei e facilitei um workshop colaborativo com os outros líderes de design. Mapeamos como cada um de nós de fato rodava as 1:1s e acompanhava o progresso, e depois isolamos o que havia em comum — a matéria-prima de um padrão que todos reconheceriam como seu.

  3. Um roteiro, um framework de acompanhamento

    Estruturei o sistema em dois artefatos: um roteiro padronizado de conversa 1:1 e um framework para acompanhar projetos, dinâmica do time, interações com clientes e colaboração com PMs — todo o contexto de que um novo líder precisa no primeiro dia.

  4. Indicadores para o lado humano

    Defini métricas e indicadores de progressão de carreira, bem-estar emocional e saúde geral na função — para que o sistema acompanhasse a pessoa, não só a lista de projetos.

  5. Implantar em toda a liderança de design

    Apresentei o framework a todos os times de liderança de design, para que, quando um designer mudasse de time ou de unidade, seu registro, seu fio de carreira e seu histórico de bem-estar mudassem junto.

O padrão — três artefatos Roteiro de 1:1 Acompanhamento Projetos Dinâmica do time Interações com clientes Colaboração com PMs Indicadores Progressão de carreira Bem-estar emocional Saúde na função
03 — Anatomia do padrão: o roteiro de 1:1, as quatro dimensões de acompanhamento e os três indicadores humanos. As posições dos marcadores são ilustrativas — a estrutura é o artefato.
04 — Onde isso foi parar

Virou o jeito de a liderança de design trabalhar

O framework foi apresentado a todos os times de liderança de design da Take Blip. Melhorou de forma significativa a gestão e o suporte aos UX designers: o impacto das realocações frequentes foi minimizado, a orientação de carreira e o acompanhamento de projetos avançaram, e o alinhamento entre liderança e times de design ficou mais forte — ajudando a função de design a escalar sem perder de vista a satisfação e o crescimento dos designers.

Este foi um trabalho interno de DesignOps, então os artefatos vivem dentro da empresa — não há nada público para linkar aqui. Os diagramas acima redesenham a estrutura do sistema a partir da documentação do case.

O que isso diz sobre como eu trabalho

  • Pesquisa antes de opinião, mesmo para dentro — um problema interno de processo recebeu o mesmo tratamento de um projeto de cliente: benchmarking, pesquisa qualitativa, service blueprint, mapa de jornada.
  • Um protocolo, não cinco gambiarras — meu primeiro instinto não foi consertar as minhas 1:1s, e sim construir um padrão que os cinco líderes pudessem compartilhar.
  • Liderar pares pela facilitação — o padrão pegou porque os outros líderes ajudaram a mapeá-lo num workshop, em vez de recebê-lo por memorando.