A lei mudou. O líder de mercado tinha de agir.
A Escola da Inteligência vende metodologias de ensino socioemocional para escolas que trabalham com crianças e adolescentes. Em 2021, essa disciplina se tornou obrigatória no currículo escolar brasileiro — e, como principal player do nicho, a empresa de repente tinha nas mãos uma obrigação e uma oportunidade.
A demanda do CEO: construir uma plataforma de ensino remoto capaz de entregar o conteúdo rico da empresa, acompanhar seu uso e avaliar métricas. Não uma ferramenta genérica — um LMS com os recursos específicos exigidos por lei.
O difícil não era nenhum recurso isolado. Era o escopo: uma lista enorme de funcionalidades, exigências legais, um banco de dados ainda por estruturar, uma empresa terceirizada escrevendo o código — e um designer.
Não comece a pesquisa. Plugue nela.
No projeto anterior — o jogo Cidade da Memória, para o mesmo cliente — eu tinha construído uma estrutura atômica de pesquisa: um sistema desenhado para sustentar qualquer necessidade futura de ouvir o usuário final, não só a daquele jogo. O LMS mirava as mesmas personas.
Então a decisão definidora foi reusar esse ecossistema, conectando vários resultados de pesquisa existentes em vez de encomendar estudos novos. A velocidade de entrega veio de trabalho que já tinha sido pago uma vez.
A segunda decisão seguiu a mesma lógica, apontada para a frente: tudo o que criei para o LMS — mapas de objetos, componentes, modelos de schema — foi registrado como regras sobre as quais outros pudessem construir, para que a plataforma não dependesse de mim assim como a pesquisa já não dependia de um estudo novo.
A plataforma inteira, desenhada solo — possível só porque as estruturas reusáveis já existiam.
Objetos, regras e a cadeira que ninguém mais ocupava
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Escopo, depois prova de valor
O time rascunhou um escopo enorme de funcionalidades, listou tudo e mapeou processos e fluxos de usuário. Antes de qualquer coisa ser desenhada, o valor de negócio de cada recurso foi validado com o CEO — o escopo conquistou o próprio lugar em vez de recebê-lo de graça.
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Objetos antes das telas
Usando Object-Oriented UX, mapeei primeiro os objetos do sistema. Esse mapa não era um capricho de UX — foi essencial para criar a própria estrutura do banco de dados. As mesmas definições que organizavam a interface organizavam as tabelas.
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Um design system que ensina
Ao construir o design system, documentei cada componente com um conjunto claro de regras e heurísticas — para que desenvolvedores e designers pudessem criar os próprios componentes sem mim. Em paralelo, modelos de schema mostravam aos desenvolvedores como estruturar tabelas e as telas do front-end.
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Primeira versão solo, testada em comitê
Desenhei a primeira versão sozinho e depois validei a estrutura e os componentes de front-end com o time de TI e um comitê de stakeholders. Um autor único manteve o sistema coerente; o comitê o manteve honesto.
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Assumi a cadeira de gestor
A entrega passava por uma empresa terceirizada de desenvolvimento, então assumi o papel de gestor — de time, de projeto e de produto — acompanhando entregáveis e iterando o roadmap. Quando o beta foi lançado com o back office ainda fora das especificações, construí o paliativo eu mesmo: um curso online que ensinava representantes de vendas a dar suporte a escolas, professores e alunos — slides, aula gravada, FAQ e seminários frequentes.