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Case 05 — Escola da Inteligência · educação · 2021

Um designer. Um LMS inteiro.

Quando o Brasil tornou a educação socioemocional obrigatória, desenhei sozinho a plataforma que atendia à lei — sobre um sistema de pesquisa que eu tinha construído no projeto anterior, já para ser reusado.

Papel
UX · UI · Pesquisa · Liderança · Gestão
Escala
Plataforma inteira desenhada solo; construída com uma empresa de desenvolvimento terceirizada
Métodos
Scrumban · Object-Oriented UX · Design Thinking
Status
2021 → no ar até hoje como Portal Inteligência Jovem
01 — A situação

A lei mudou. O líder de mercado tinha de agir.

A Escola da Inteligência vende metodologias de ensino socioemocional para escolas que trabalham com crianças e adolescentes. Em 2021, essa disciplina se tornou obrigatória no currículo escolar brasileiro — e, como principal player do nicho, a empresa de repente tinha nas mãos uma obrigação e uma oportunidade.

A demanda do CEO: construir uma plataforma de ensino remoto capaz de entregar o conteúdo rico da empresa, acompanhar seu uso e avaliar métricas. Não uma ferramenta genérica — um LMS com os recursos específicos exigidos por lei.

O difícil não era nenhum recurso isolado. Era o escopo: uma lista enorme de funcionalidades, exigências legais, um banco de dados ainda por estruturar, uma empresa terceirizada escrevendo o código — e um designer.

2021disciplina vira obrigatória
1designer na primeira versão
No arcomo Portal Inteligência Jovem
02 — A virada

Não comece a pesquisa. Plugue nela.

No projeto anterior — o jogo Cidade da Memória, para o mesmo cliente — eu tinha construído uma estrutura atômica de pesquisa: um sistema desenhado para sustentar qualquer necessidade futura de ouvir o usuário final, não só a daquele jogo. O LMS mirava as mesmas personas.

Então a decisão definidora foi reusar esse ecossistema, conectando vários resultados de pesquisa existentes em vez de encomendar estudos novos. A velocidade de entrega veio de trabalho que já tinha sido pago uma vez.

A segunda decisão seguiu a mesma lógica, apontada para a frente: tudo o que criei para o LMS — mapas de objetos, componentes, modelos de schema — foi registrado como regras sobre as quais outros pudessem construir, para que a plataforma não dependesse de mim assim como a pesquisa já não dependia de um estudo novo.

A plataforma inteira, desenhada solo — possível só porque as estruturas reusáveis já existiam.

Projeto · 2020 Cidade da Memória jogo socioemocional, mesmas personas-alvo Ativo reusável Ecossistema atômico de pesquisa · personas · resultados de pesquisa conectados · feito para servir a todo projeto seguinte Projeto · 2021 LMS Itinerários recursos exigidos por lei, entrega sob pressão nasce aqui reusado aqui
A virada — um sistema de pesquisa, dois projetos. O ecossistema construído para o jogo plugou direto no LMS: mesmas personas, resultados existentes conectados em vez de reestudados.
03 — O trabalho

Objetos, regras e a cadeira que ninguém mais ocupava

  1. Escopo, depois prova de valor

    O time rascunhou um escopo enorme de funcionalidades, listou tudo e mapeou processos e fluxos de usuário. Antes de qualquer coisa ser desenhada, o valor de negócio de cada recurso foi validado com o CEO — o escopo conquistou o próprio lugar em vez de recebê-lo de graça.

  2. Objetos antes das telas

    Usando Object-Oriented UX, mapeei primeiro os objetos do sistema. Esse mapa não era um capricho de UX — foi essencial para criar a própria estrutura do banco de dados. As mesmas definições que organizavam a interface organizavam as tabelas.

  3. Um design system que ensina

    Ao construir o design system, documentei cada componente com um conjunto claro de regras e heurísticas — para que desenvolvedores e designers pudessem criar os próprios componentes sem mim. Em paralelo, modelos de schema mostravam aos desenvolvedores como estruturar tabelas e as telas do front-end.

  4. Primeira versão solo, testada em comitê

    Desenhei a primeira versão sozinho e depois validei a estrutura e os componentes de front-end com o time de TI e um comitê de stakeholders. Um autor único manteve o sistema coerente; o comitê o manteve honesto.

  5. Assumi a cadeira de gestor

    A entrega passava por uma empresa terceirizada de desenvolvimento, então assumi o papel de gestor — de time, de projeto e de produto — acompanhando entregáveis e iterando o roadmap. Quando o beta foi lançado com o back office ainda fora das especificações, construí o paliativo eu mesmo: um curso online que ensinava representantes de vendas a dar suporte a escolas, professores e alunos — slides, aula gravada, FAQ e seminários frequentes.

Objetos do sistema (OOUX) Aluno Professor Escola Conteúdo Estrutura do banco tabela campos Telas de front-end estrutura modelos de schema
Objetos antes das telas — o mapa de objetos OOUX alimentou diretamente a estrutura do banco de dados, e modelos de schema levaram as mesmas definições para as tabelas e as telas do front-end.
O paliativo do beta · curso online Slides Aula gravada FAQ Seminários frequentes Treinados pelo curso Representantes de vendas Escolas Professores Alunos suporte
O paliativo do beta — com o back office ainda fora das especificações de design, um curso em quatro partes permitiu que representantes de vendas dessem suporte a escolas, professores e alunos.
O mapa de objetos real do arquivo Figma do Itinerários: cards de objetos com código de cores dispostos em clusters conectados, mapeando as entidades da plataforma e suas relações. Uma tela de visão escola do design do LMS: interface administrativa listando turmas e conteúdos, do fluxo 'visão escola'.
Direto do arquivo Figma: o mapa de objetos que alimentou a estrutura do banco de dados e uma tela de visão escola da plataforma.
04 — Onde isso foi parar

Renomeada como planejado. No ar até hoje.

A plataforma migrou de nome — um movimento já previsto no roadmap — e vive como Portal Inteligência Jovem, de pé e atendendo escolas até hoje. Desenhar a plataforma inteira solo foi um desafio e tanto; só foi possível porque as estruturas reusáveis já estavam prontas antes de o projeto começar.

O que isso diz sobre como eu trabalho

  • Sistemas em vez de soluções pontuais — ecossistemas de pesquisa, design systems, modelos de schema: construídos uma vez, documentados e reusados entre projetos.
  • Assumo a cadeira de gestão quando a entrega exige — time, projeto e produto, incluindo a coordenação de uma empresa de desenvolvimento terceirizada.
  • Restrições do mundo real fazem parte do briefing: exigências legais, um back office inacabado e o curso paliativo que manteve o beta funcionando.